Secret Level (2024) | Temporada 01 | Criador: Tim Miller |
Depois de três temporadas da série Love, Death & Robots, o diretor Tim Miller nos traz uma grata surpresa pouco antes do fim do ano, repetindo a fórmula da popular série animada da Netflix, talvez com mais sucesso dessa vez, para o Prime Video. Com direção geral de Miller e Dave Wilson, Secret Level seleciona quinze jogos populares e faz um episódio em animação com 5 a 10 minutos para cada um.
Na série da Netflix, eles adquirem contos de ficção científica para serem adaptados em roteiros televisivos. Aqui quiseram manter o processo; após a seleção dos jogos, encomendaram contos que depois foram transformados nos roteiros dos episódios. Unindo anos de técnica e amizades à frente do Blur Studio, estúdio especializado em desenvolver cutscenes para videogames, eles conseguem trazer jogos inesperados para a seleção com uma proeza em animação 3D como raramente se vê na TV ou no cinema.
Para mim, o formato funciona melhor em Secret Level do que na série anterior. Muitas vezes estamos falando de histórias que não têm tempo para desenvolver um universo grande de fantasia ou sci-fi como os autores almejam. Como aqui já temos o repertório desses jogos, é mais fácil contar uma história que se insere em um cenário pré-existente e ter mais tempo para avançar a trama.
Os destaques estão nos episódios do PAC-MAN: Circle, uma surpresa visual e narrativa para todos que já viram a estética do jogo clássico; em New World: The Once and Future King, que traz uma veia cômica marcante e uma dublagem hilária de Arnold Schwarzenegger; e para o penúltimo Honor of Kings: The Way of All Things, visualmente tão impressionante e bem renderizado que fecha a temporada com chave de ouro.
Não posso deixar de mencionar também The Outer Worlds: The Company We Keep, engraçado e emocionante em poucos minutos com boas performances; Crossfire: Good Conflict, uma excelente cena de ação sem pausas; e Concord: Tale of the Implacable, uma ótima aventura para o jogo da Sony que foi lançado e desativado neste ano em menos de duas semanas (se o jogo seguisse a mecânica do episódio em suas partidas, talvez tivesse uma chance de sucesso maior).
Há um ou outro episódio com roteiros pouco inspirados. Alguns exploram a mecânica de morrer e renascer em videogames à exaustão, tema que deveria ser proibido em temporadas futuras. Outros parecem trechos retirados do jogo que pouco se esforçam para funcionar como histórias independentes. Caso queira pulá-los, evite Playtime: Fulfillment, Spelunky: Tally e Exodus: Odyssey.
Há muito do que gostar e com que se divertir em Secret Level. Com uma segunda temporada já encomendada pela Amazon, espero que o time continue entregando a excelência nas animações e nas histórias que vem mantendo desde Love, Death & Robots. É uma fácil recomendação pela curta duração dos episódios com narrativas bem desenvolvidas e visuais surpreendentes, seja você fã de videogames ou não.




